Tantos escritores-leitores já disseram isso, de modo
mais ou menos poético.
O fato é que não há quem não goste de ler. O que é
possível, sim, é que o leitor esteja diante de um texto que naquele momento não
gostaria de estar lendo.
Nada mais justo: temos a liberdade de escolher deixar
aquele texto de lado e buscar o próximo. Como dizem os mais jovens, a fila
anda. É nesse andar que os textos se exibem para os leitores em potencial: a
expectativa é a do convívio mais que perfeito, o que só é possível no conflito.
E como não ser assim se todo encontro nos mobiliza internamente?
Conviver com textos é como conviver com pessoas, um
exercício que requer muito dos olhos que percorrem as letras. Como toda
convivência, um texto empurrará o leitor para fora da sua zona de conforto,
para, enfim, o abismo, aquele mesmo do qual, finda a leitura, o salvará. Não
porque a literatura de boa qualidade conforte, dê “colo” para o leitor, mas
porque ela o inquietará, desmontará preconceitos, sacudirá a poeira do ser
envelhecido pelo cotidiano, criará o caos do qual emergirá o único silêncio
possível capaz de libertar a alma dos seus grilhões.
Para falar desta literatura, espaço de liberdade e de
conquistas, entrevistamos o professor doutor Fábio do Prado, reitor do Centro
Universitário da FEI. Gentilmente, ele permitiu que nós roubássemos um curto
espaço do seu tempo, tão concorrido, para falar sobre Literatura em uma
sexta-feira de fim de ano. O convite, feito com tantas reservas pelo grupo, foi
aceito alegremente pelo reitor que se entusiasmou com as próprias lembranças da
sua história de leitor. E é com esse sentimento que queremos abrir um novo ano
do nosso Blog Palavras Conectadas, partilhando a alegria do encontro com a
literatura.
Saudações literárias e um excelente 2013.
Com a palavra, o Senhor Reitor!