29 de maio de 2017

Mulher que sofreu aborto não tem direito à estabilidade.

Leonardo Melo


Em novembro de 2013, uma mulher, que teve identidade protegida, sofreu um aborto espontâneo. O aborto espontâneo trata-se de uma perda de gravidez antes da vigésima semana, seguido de dores nas lombares ou na vagina, o feto presente na barriga, através de inúmeras complicações, acaba vindo a falecer. Por mais que seja relativamente comum (30% das mães passam por isso), a dor de perder um filho geralmente vem acompanhada por tratamento psicológico intenso.

Ela estava afastada com justificativa legal baseada no artigo 10, inciso II do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal/88, que confere à empregada gestante a estabilidade provisória desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.
Entretanto, 17 dias após ter alta, a mesma foi demitida, sendo alegado que não possuía os direitos previstos no ADCT por tratar-se de um aborto, e não parto.

Em primeira instância, após recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), foi concedido a ela o direito do pagamento do seu salário, condenando a empresa a pagar o salário pelo período de 5 meses, previstos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A empresa condenada recorreu logo ao TST (Tribunal Superior do Trabalho), alegando novamente que não se tratava de um parto, e sim um aborto. Ao analisar o pedido, o desembargador João Pedro Silvestrin deu razão à empresa, dizendo que a mesma respeitou o período de 2 semanas previsto no artigo 395 da CLT que prevê o repouso remunerado pelo período de 15 dias e concluindo que não deveria a empresa ser condenada.

Tirando os direitos da mãe que, involuntariamente, teria perdido seu bebê.

O questionamento que aqui indago é:

Até quando um feto não será reconhecido como uma vida, sendo assim, sua possível morte um caso que não se trata de responsabilidade governamental?

A ilha desejada

Giovana Leopoldo Guimarães


Resenha do livro "O conto da Ilha desconhecida"
José Saramargo

A obra relata o desejo de um cidadão simples em conseguir dominar terras desconhecidas. Com muito esforço, ele consegue um barco emprestado do rei, que desacreditava no seu poder e, por fim, o homem conseguiu realizar a navegação e ainda levar uma companhia.

A mulher da limpeza do palácio do rei foi quem teve a coragem de acompanhá-lo nesta jornada sem destino. Isso reflete a vontade, dentro de cada um, em mudar a realidade em que se encontra numa fuga desesperada, buscando uma mudança no cenário de trabalho; além de a personagem ser fria com relação a um pedido que foi solicitado.

O contexto visa que devemos nos arriscar em situações em que não temos mais saídas e que, quando alguém tentar impedir, devemos ser persistentes, assim como se exemplificou no livro: a busca incontrolável para ter um pequeno barco que conseguisse realizar os objetivos.

O enredo é de difícil entendimento, pois o autor não respeita as normas gramaticais, excluindo o uso de pontos, vírgulas, travessão e isso acarreta uma grande dificuldade na assimilação de informações. O público alvo indicado seria o adulto por conta dessa linguagem mais complexa, ou seja, pelo uso de palavras que geralmente não são de hábitos do cotidiano.

O conto da ilha desconhecida é um texto muito rico em despertar os desejos individuais que não são citados na obra, fazendo a reflexão de que quando um desejo é saciado, ele acaba despertando outro que jamais você teria imaginado.

O grande inseto que traz à tona a rejeição

Amanda da Silva Pretel


A metamorfose
Franz Kafta

O livro relata a história de Gregório Samsa, que em certo dia acorda transformado em um gigante inseto. De início é perceptível do mesmo, uma vez que se vê sem condições de sair do quarto, com certo receio de que seus familiares vão pensar ou de como vão agir. Certo medo é de fato evidenciado ao longo do livro, já que há rejeição por parte dos pais. Gregório, então, permanece dia após dia confinado em seu quarto, sendo, verdadeiramente, tratado como o bicho que se tornara. Ainda que Gregório tivesse ajudado sua família enquanto ser humano, seus pais o esqueceram e, por final, desejaram sua morte.

Grete, irmã de Gregório, se porta diferente frente a situação. Ela enxerga que por detrás daquele terrível inseto ainda está presente a figura de seu irmão. Ainda que assustada e confusa, ela faz o possível para que Gregório tenha a maior comodidade mesmo como um inseto. A princípio Grete se vê receosa pela aparência do irmão e não quer ir contra a posição dos pais, que dizem que Gregório deve ficar em seu quarto sozinho. Mesmo assim, a irmã, por mais discreta que fora, ajudara o irmão, colocando, todos os dias, uma tigela de comida em seu quarto. Por muitas vezes Gregório não sentia vontade de comer e com o passar do tempo foi se afundando numa depressão, marcada pela solidão e rejeição que enfrentara. Apesar de o irmão precisar se esconder para não assustar Grete, e por muitas vezes o mesmo nem tocar na comida colocada pela irmã, ela fazia questão de manter o quarto limpo e trocar a comida, procurando as preferências do irmão e se portando de maneira digna frente à situação.

Determinado fato, ainda que fictício, revela o preconceito, assunto muito comum na atualidade. Gregório era o filho exemplar, ajudava a família trabalhando sem parar e quando se vê necessitado de ajuda é completamente abandonado e rejeitado. Tal situação mostra como, muitas vezes, pessoas são esquecidas e destratadas por terem certo problema físico, mental ou emocional. Ao final do livro, até mesmo a irmã de Gregório se revolta com o acontecido e deseja a morte do irmão, que realmente acaba falecendo, esquecido, abandonado e de profunda tristeza, para o alívio da família.

O livro não é de fácil leitura, composto por palavras de difícil compreensão, provoca ao leitor uma maior atenção e concentração, porém é um livro curto, sendo assim não muito cansativo, todavia indicado para jovens e adultos, já que há uma dificuldade de entendimento. Contudo, o livro traz uma mensagem forte, se bem interpretado, levantando uma questão muito discutida e vivida: o preconceito. Que deveria ser totalmente extinto, uma vez que só agrega malefícios ao indivíduo e à sociedade como um todo.

23 de maio de 2017

Desvendando a leitura

Kimberly Candido


Para muitos, o universo da leitura ainda é um terreno desconhecido e até mesmo evitado. O que eles não sabem, é que a habilidade de ler um livro não é algum tipo de dom ou poder especial: é tudo questão de prática.

Ler abre os horizontes, mesmo sem sair do lugar. Transforma uma pessoa por dentro, diverte e informa. Lendo, podemos desenvolver nosso raciocínio lógico e exercitar a memória, de forma que não somente beneficie o cérebro, como também aumente a qualidade de vida. Com isso, a habilidade de discursar e se comunicar em qualquer ocasião aumentam muito; algo que, principalmente no mercado de trabalho, é imprescindível.

Ninguém gosta de estar por fora em uma conversa, discussão ou debate. Para se ter uma argumentação mais embasada é necessário ler não apenas as manchetes; é preciso de fato conhecer e entender o que se está falando. O poder de persuasão, via de regra, é proveniente da boa fala e da boa argumentação. Além de desenvolver o senso crítico, a leitura pode somar muito para a criatividade, aumentar o vocabulário e, com isso, também tornar a escrita melhor.

A leitura pode não ser sobre assuntos técnicos ou aqueles textos de mil páginas – embora também sejam muito necessários. Basta que desperte seu interesse e já terá efeitos muito positivos em sua saúde mental e desenvolvimento intelectual. Também é preciso lembrar que para ter qualidade no que se lê, é necessário entender, refletir e absorver a mensagem que a obra nos proporciona. Ler centenas de livros e não tirar nenhuma lição destes é enganar a si mesmo. A leitura de livros de qualquer gênero, seja em qual formato for – virtual ou físico – tem muito a acrescentar em nossas vidas, basta que estejamos atentos e de braços abertos para o que cada obra tem a nos oferecer.

14 de maio de 2017

A Sociedade da Informação, Prioridades Invertidas

Ana Lucia Silva


Não é de hoje que a leitura tem sido um assunto comentado e discutido, isso porque os hábitos de ler foram modificados devido à introdução de novas tecnologias. As mudanças no cotidiano da sociedade modernizada e o fato de que um mundo que age racionalmente não consegue ter embasamento teórico é realmente controverso. Como se tornar uma sociedade com sabedoria e conhecimento se não procuram aprimorar aquilo que sabem e conhecer o lhe é estranho, ainda mais se considerarmos que vivemos em um mundo interligado e que vive em constantes transformações.

Qual seria, então, a importância da leitura para as pessoas atualmente? Para responder essa questão temos analisar quais benefícios a leitura trás. Não se pode afirmar que ela tem somente uma utilidade já que é um método de estudo e pesquisa, um ótimo hobby, além de ser comprovado cientificamente que ler faz desenvolver áreas do cérebro que costumam estar ociosas. Ler nunca vai fazer mal, pelo contrário, gastar trinta minutos com um livro não é nada mais que investir em conhecimento.

Atualmente, as pessoas têm-se encontrado com menos tempo, seus dias parecem mais curtos, perdemos a essência das verdadeiras prioridades e começamos a confundir informação e conhecimento. Mas como ler em um mundo repleto de informações e métodos para atrair nossa atenção? A parte mais difícil é realmente convencer uma pessoa a deixar de verificar, por exemplo, suas redes sociais por algumas horas para ler algo. Estamos tão acostumados a sermos coagidos a fazer aquilo que aparentemente apresenta um custo beneficio que exige menos esforço, que não percebemos que o verdadeiro valor será em longo prazo. Os grandes pensadores tinham base de suas teorias em documentos e manuscritos, nem que fosse para criticar e apontar erros eles liam para saberem do que comentavam.

Podemos, dessa forma, afirmar que a leitura além de nos permitir conhecer uma diversidade de cenários, melhora o vocabulário e nos fornece, mesmo que por algumas horas, um refúgio. Um equilíbrio entre a vida corrida e um espaço para leitura é essencial para um progresso interno. Por fim, podemos responder a questão inicial: para que possamos continuar progredindo da forma que estamos e descobrir novas coisas é preciso ler, porque sem isso ficaremos estagnados e sem saber para onde ir. Ler foi o que fez com que a humanidade chegasse ao patamar em que esta hoje e, portanto, será os degraus que sustentam a sociedade no decorrer dos próximos anos.

Resenha do livro “A Metamorfose”

Vinícius Dutra Sammarone

Título: A Metamorfose
Autor: Franz Kafka
Número de páginas: 34

Primeiro parágrafo - Apresentação:

O livro foi escrito por Franz Kafka, escritor tcheco com fluência em alemão. A obra foi lançada em 1915 e aborda sobre a vida de Gregor Samsa, personagem principal, que se sente oprimido pelo trabalho e pelo desprezo da própria família.

Gregor Samsa é um caixeiro-viajante que se sente sobrecarregado pela profissão e desmotivado pelo dia a dia cansativo das atividades laborais que cumpre rigorosamente; sente-se reduzido a um inseto. Mantém-se no emprego para pagar as dívidas dos pais, sentindo-se oprimido pelo trabalho e pela família. O trabalho o toma mentalmente e está acima de suas próprias condições humanas.

O caixeiro-viajante, numa determinada manhã, acorda com dores no corpo, sentindo-se impossibilitado a cumprir a sua rotina de trabalho. Mesmo pressionado pela família e pelo gerente da firma à porta de seu quarto, não encontrava forças para se colocar de pé e pronto para encarar as pessoas e as obrigações do trabalho.

Na descrição do texto Gregor sofre uma metamorfose, tornando-se num inseto incapacitado para o trabalho e atividades humanas. Perante o seu estado, houve estranhamento e repulsa por parte da família e do gerente da firma. Grete, sua irmã, apesar de ter soluçado quando Gregor encontrava-se abatido e trancado no quarto, estava ausente na missão de trazer um médico que o socorresse e, sua ausência, fazia falta a Gregor no momento em que ele necessitava se justificar ao gerente.

Gregor, devido a seu estado, torna-se num estorvo assustador na casa. Horas depois, Gregor é isolado e trancado em seu quarto, a vinda do médico é dispensada. Gregor passa a ser tratado com distanciamento e certo nível de desprezo. Grete Samsa, inicialmente, presta uma atenção distanciada do irmão. Devido ao seu espanto e temor deixa restos de alimentos da família no quarto do irmão e, pouco a pouco, investiga o que lhe agrada a ser como um inseto. A irmã era responsável por mantê-lo alimentado, ela suspirava, invocava aos santos, percebia o que ele realmente comia, porém com o pesar que recaía sobre toda a família (mãe, pai e irmã). A família acaba deixando Gregor isolado no quarto e só sua irmã se preocupa em levar-lhe diversos tipos de comida, tentando adivinhar qual lhe agradará. Sua mãe tem medo e nem quer vê-lo.

Gregor, que tinha assumido as despesas do lar como caixeiro-viajante, passou a ser oprimido para manter as obrigações da casa. O pai tem que buscar um emprego de contínuo e a menina também acha um trabalho de balconista. Gregor Samsa sobrevive em seu quarto, cada vez mais afastado da natureza humana, embora ainda preocupado com o destino de sua família. Gregor agora era um inseto e sentia a perda do afeto dos pais em relação a ele, o mesmo afeto se perdia em relação à irmã. Grete Samsa cuida do irmão de maneira distante, sem buscar uma real solução, pois não suportava vê-lo num corpo de inseto, para não a escandalizar. Gregor se refugiava sob o canapé para não ser visto por ela e por ninguém.

A irmã havia resolvido retirar todos os móveis do quarto de Gregor, para que ele tivesse todo o espaço que um inseto necessita ter. A mãe discordou decidindo manter os móveis na esperança que Gregor, um dia, retornasse à condição humana. Grete insistiu e retirou o armário, deixando as paredes livres. Gregor circularia livremente pelas paredes do quarto, intimidando a entrada de todos em seus aposentos. A sua irmã, se dirigia ao cômodo mais para cumprir tarefas de “manutenção” do que para prestar algum tipo de afeto ou atitude em favor de seu irmão.

Pouco a pouco, Gregor passou a se sentir maltratado e a família passou a se virar financeiramente para cobrir as faltas da renda de Gregor, um inseto desempregado. Gregor sente a rejeição da irmã que, antes de sair para trabalhar, deixava em seu quarto qualquer alimento às pressas. Gregor ao incomodar os inquilinos da casa (a família tentava manter na casa uma pensão para conseguir uma renda complementar), torna-se alvo da expulsão por parte da própria irmã.

Nas palavras de Grete Samsa conclui-se o seu desprezo pelo irmão: “É preciso que isso vá para fora”. No fim, Gregor, um inseto muito ferido e isolado, morre sem gerar compadecimentos profundos na casa, todos passam a pensar em seus empregos e em suas próprias vidas.

Morrendo, é jogado no lixo. A família se sente livre e começa a fazer planos para casar a menina. Pode-se dizer que nessa hora Kafka inventa o realismo fantástico (ao apresentar em um contexto real um fato fantástico) e dá, também, alguma mostra do expressionismo em que se baseariam outras de suas histórias, como "O Processo", por exemplo, em que há a importância das posturas e movimentos dos personagens para criar o clima de pesadelo caracterizando suas obras.

Segundo Parágrafo:

Gregor Samsa foi o personagem escolhido, no qual o mesmo manifesta seu descontentamento com sua realidade e a falta de vontade em continuar com sua rotina, devido à sua enorme insatisfação de maneira geral.

Terceiro parágrafo:
O livro não tem uma situação similar com minha vida pessoal e profissional, tendo em vista que minha rotina traz satisfação pessoal e profissional, com contentamento pelo que venho realizando, inclusive a satisfação maior pelo curso que venho realizando na faculdade.

Quarto Parágrafo:

O livro tem uma avaliação positiva de forma geral, mostrando uma situação muito comum nos dias de hoje com a maioria das pessoas, principalmente jovens. Eles não têm uma satisfação e motivação pela rotina que lhe é seguida, sendo assim uma situação impactante e gerando impacto nas pessoas que sofrem com esse problema. O público-alvo principal de acordo com o livro é o jovem, devido sua situação de vida momentânea e descontentamento geral como mencionado no início do parágrafo. A reflexão referente ao livro é válida para enxergar as situações que podem estar presentes na rotina de muitas pessoas e buscar uma diferente forma de solucionar tal situação.

A Vida e suas metamorfoses

Taynara Tosarelli

Título do Livro: A Metamorfose
Autor: Franz Kafka

A obra “A Metamorfose” foi escrita no ano de 1912 por Franz Kafka e publicada em 1915; no ano de 1956, foi publicada no Brasil. Em sua obra, Kafka faz um desabafo através de seu personagem Gregor Samsa, sobre problemas sociais. A mensagem principal que Kafka nos passa em seu livro é a visão interesseira de pessoas ao nosso redor. Enquanto Gregor era eficiente, prestava serviços, ajudava sua família, tinha o que oferecer à todos, todos gostavam de tê-lo por perto. Mas, quando Samsa começa a passar por uma fase de transformação em sua vida, em que é incapaz de realizar qualquer tipo de atividade ou tarefa, o personagem é comparado a um inseto insignificante e inválido, pelo fato de não ter mais o que oferecer.

Gregor Samsa, é um personagem que representa muitas pessoas dentro de uma sociedade. Como quando nos sentimos depressivos, nos sentimos mal com algumas circunstâncias que aparecem para nos afligir e todos que estavam ao seu redor somem, sem prestar ajuda, sem se comunicarem para saber o que acontece. O personagem se sente sozinho e inválido, assim como nós nos sentimos quando acontece algo semelhante a isso.

Essa obra se encaixa nos dias atuais pelas vezes em que nos sentimos esgotados emocionalmente como Gregor e as pessoas que vivem ao nosso redor se afastam nos momentos em que não temos o que oferecer para beneficiá-las.

“A Metamorfose” é uma obra bem elaborada, são usadas gírias da época em que foi escrita, mas de fácil interpretação; um romance curto com um conteúdo para ser refletido em discussões e debates. O autor usa suas obras como um pequeno desabafo em suas críticas sociais, em especial na obra citada acima. A relação entre seus personagens e a vida real é incrível, colocando seu ponto de vista e encantando a todos que a lêem.

8 de maio de 2017

Hibisco roxo, um livro para refletir

Nayara Pontes

Título: Hibisco roxo
Autora: Chimamanda Ngozi Adiche
Número de páginas: 321

O livro Hibisco roxo foi escrito por uma autora nigeriana que imigrou para os Estados Unidos quando mais nova e, nesta obra, são tratados os aspectos de uma cultura interferindo em outra. Ela traz os efeitos da colonização africana e o comportamento das pessoas da Nigéria em relação a isto em alguns fatores como religião, educação, política e diferença de classes.

A personagem que passa todas estas mensagens para nós é Kambili que, além de protagonizar, narra a trajetória de sua vida com a família e amigos. Ela conta como são suas doutrinas em casa e na igreja, mostrando, assim como seu irmão Jaja, total obediência às ordens de seu pai: um homem difícil de lidar na própria sociedade nigeriana por procurar seguir costumes americanos. A menina de 15 anos se preocupa em observar todos os detalhes à sua volta e todos os comportamentos das pessoas com quem convive, sempre que possível fazendo reflexões do que é correto ou não em seu ponto de vista; mas mesmo vivendo naquela mesmice, ela demonstra interesse no novo, isto é, demonstra que sente curiosidade de fazer experiências novas que nunca tinha feito antes por ter um certo medo.

Ela é um exemplo de que o meio influencia nas atitudes de um indivíduo, visto que, longe de seu pai e junto com sua tia e primos, Kambili viveu o que nunca tinha vivido antes. Além disso, observando alguns pontos da obra, conseguimos formar uma relação com o contexto histórico do passado que até hoje traz sequelas para nós, como é o caso da fragmentação da identidade de um país. Assim como a Nigéria, o Brasil também adotou culturas americanas: seja nas músicas, nos filmes ou até mesmo na alimentação, sendo que muitas vezes nem percebemos isso.

De modo geral, Hibisco roxo apresenta uma linguagem bem descritiva, dando maior facilidade para imaginarmos o cenário dos acontecimentos, além de abranger temas interessantes que estão próximos de nossa realidade. Portanto vale a pena ler e refletir sobre o que é tratado e até mesmo relacionar com questões em nosso cotidiano.

7 de maio de 2017

A importância da leitura

Roberta Campos


A vida é um livro composto de capítulos e subcapítulos dos mais diversos temas, escrito por um autor que muitos conhecem; embora não se saiba ao certo seu nome ou sua verdadeira aparência, uma vez que Ele pode aparecer e assinar suas obras de diversas formas. Cabe a nós sabermos ler e interpretar esse complexo livro.

Quando se é criança tudo é novidade em relação a tantas linguagens verbais e não verbais que a circulam. Aos poucos ela vai se desenvolvendo e se tornando apta a descobrir novos horizontes através da alfabetização.

De palavra em palavra a criança começa a ler e, consequentemente, sua percepção em relação ao mundo cresce. Desta forma ao longo de seu aprendizado, aquele serzinho começa a descobrir o mundo de forma mais profunda, assim os dados e informações descobertas passam a fazer sentido e a auxiliar na formação daquele ser.

Pode-se afirmar que, quando o ser humano começa a ler, independente da idade, esse passa a ter mais autonomia, se torna mais forte e fica mais próximo de se tornar um indivíduo astuto. Vale ressaltar que para aqueles que ensinam outras pessoas a ler, pode-se afirmar que é um ato nobre, uma vez que tal pessoa estará auxiliando no desenvolvimento e comunicação do indivíduo, ou seja, estará contribuindo na leitura e interpretação das páginas do seu próprio livro.

À medida que se vai crescendo, a leitura torna-se essencial para o desenvolvimento do intelecto, melhoria na escrita, estímulo ao raciocínio e aprimoramento na capacidade interpretativa. Resultando assim na formação de opiniões bem fundamentadas para tomadas de decisão e em uma comunicação eficaz nos ambientes escolares, profissionais, familiares, sociais e em relacionamentos.

Na correria do dia-a-dia pode acontecer de a leitura espontânea ser rara. A dica é começar por assuntos de agrado pessoal e que serão úteis para colocar em prática nos ambientes de convívio.

3 de maio de 2017

O natural da vida

Nayara Pontes


Apaguem as luzes da cidade
A lua está linda
As pessoas não são más
Elas só estão perdidas

Abençoadas sejam todas as voltas que a vida dá
Se a chuva é purificação
Então deixa molhar

Não é sobre chegar ao topo do mundo
E saber que você venceu
É sobre escalar
E sentir que o caminho te fortaleceu

Deixe os bons pensamentos fluírem
Se os ventos não estiverem a favor
Não acompanhe, deixe eles irem

Aonde eu estiver
Que o sorriso me acompanhe
A cada amanhecer é uma oportunidade
Na qual a vida diz “Eis aqui outra chance”

24 de abril de 2017

Orgulho e preponderância na administração

Bruno Feitosa Figueiredo


Santo Agostinho em um dos seus pensamentos sobre orgulho o compara à arrogância e à certeza de individualismo, citando um intitulado “senhor” descrito em uma de suas obras: “sois o único senhor verdadeiro, o único que não tem senhor”, ou seja, impondo que não precisa de qualquer auxílio; pensamento orgulhoso esse que, atualmente, é repugnado por conta da natural limitação individual na administração e gestão moderna.

O orgulho é o pior dos pecados, já dizia Santo Agostinho: “O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, porque é a fonte de todos os vícios”; reflita sobre a inúmera quantidade de corporações ultrapassadas, ou até falidas, por conta de não procurarem ajuda externa, ou orgulho de autosobressalência individual de cada um de seus mandatários individualistas.

A atual gestão de pessoas na administração demanda atitudes conflitantes com a antiga gestão empresarial que se resumia a apenas uma pessoa, em razão do lucro, sobressair-se diante de quaisquer ocasiões; hoje, a interatividade e o auxílio recíproco são pontos fulcrais para o desenvolvimento de qualquer corporação e personalidade que queria destacar-se no mercado.

Um conflito nunca é bem vindo, principalmente em um ambiente com grande histórico predatório como o ambiente corporativo; citando um versículo bíblico: “Deem e será dado a vocês: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois à medida que usarem também será usado para medir vocês." (Lucas 6:38), enquadrando-se no argumento da reciprocidade de atos já citado.

Ponto esse que foi explicitamente estudado e reiterado por Peter Drucker, pai da administração moderna: a comunicação entre áreas e respeito entre subordinados e subordinantes; fazendo com que houvesse um autogerenciamento e determinação continua entre seus colaboradores, sendo esse tido por muitos como um dos grandes dogmas para a empresa perfeita, longe de qualquer princípio de soberania, autocracia ou libertinagem de licença poética exercida na corporação.

19 de abril de 2017

A rede do vício social

Vitor Trindade


A terceira revolução industrial – informacional – por meio da internet trouxe consigo o começo de uma nova era. Dessa maneira, as noções de distância e tempo foram completamente reduzidas, assim este último pode ser mais bem aproveitado. No entanto, seu uso indevido e compulsivo nos faz reféns das interações sociais e de nosso próprio ego.
As redes sociais – que têm como papel aproximar as pessoas – moldam o padrão de vida atual. A necessidade de estar constantemente conectado nos priva das relações sociais reais, diminuindo o contato no ciclo familiar e também gerando um distanciamento das pessoas que de fato estão a nossa volta. Logo, os ciclos de amizades virtuais se tornam cruciais e importantes, dignos de nosso tempo e atenção sem que haja um contato ou aproximação, caracterizando-se, portanto, em um ciclo social sintético.
Diante disto, vemos uma crescente valorização do reconhecimento online, onde esse está diretamente ligado à sensação de prazer e prestígio, fazendo com que, de forma irracional, busquemos cada vez mais visibilidade nas redes sociais ao ponto de expor até mesmo questões pessoais numa busca incansável por aceitação. Isto reflete imediatamente no proveito do tempo, que não se faz presente, visto que é usado em relações fracas e prazeres momentâneos, deixando de aproveitar os benefícios propiciados pela Era da Informação.
Apesar da drástica redução da distância e do tempo, essas se tornam maiores entre os indivíduos que valorizam mais o virtual do que o real e estes acabam por serem escassos, devido ao mau uso da internet como meio para fortalecimento do ego e não para busca de conhecimento e informações.

17 de abril de 2017

A influência da tecnologia a partir do século XXI

Nayara Pontes


Todos nós que passamos pela transição do século XX para o século XXI, percebemos nitidamente a progressão dos avanços tecnológicos e o quanto esses afetaram nossa vida pessoal e profissional. Não há como negar que a sociedade adquiriu muito mais facilidades e ganho de tempo com a tecnologia, pois facilitou muito na busca de informações e, consequentemente, se tornou um meio muito mais eficiente e dinâmico para a maioria das atividades no cotidiano.
Entretanto, cada vez mais surge uma dependência a tal ponto que a presença do ser humano começa a ser substituída por aparelhos eletrônicos. De acordo com as observações da psicoterapeuta Maura de Albanesi, o uso indiscriminado sem se preocupar com os vícios de comportamento que a tecnologia pode oferecer é prejudicial e traz alguns pontos negativos, como por exemplo: sensação de solidão, perda de tempo sem perceber, aumento de conversas paralelas, estímulo à inveja e o aumento da timidez.
Ela argumenta que é importante avaliar quais são os reais benefícios que a tecnologia nos oferece, até que ponto ela pode nos fazer bem e aponta que devemos provocar questionamentos internos para repararmos quais são os nossos sentimentos em relação à nossa vida dentro das redes.
Levando em consideração estes aspectos, é notável que os avanços vieram de maneira incontrolável para a sociedade e cabe à esta estabelecer o controle para haver uma harmonia entre o homem e às inovações que vêm surgindo a cada ano, sem causar defasagens nos comportamentos e formação individual de cada um.

10 de abril de 2017

Resenha: “O retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde

Bruno Figueiredo


O livro começa com a presença de dois dos três personagens principais do livro: Basil Hallward, o pintor e Lorde Henry “Harry” Wotton, um aristocrata, ególatra e extremamente racional; ambos conversam no ateliê de Basil até que o terceiro personagem e protagonista é apresentado: Dorian Gray, um jovem aristocrata conhecido pelo seu bom gosto e, acima de tudo, pela sua beleza.
Basil pinta um quadro de Dorian Gray, por isso a presença em seu ateliê; Dorian é retratado doce, ingênuo e incorruptível. Ele é apresentado para Lorde Henry mediante ao pedido deste, fato que, inicialmente imperceptível, impactará drasticamente o futuro de Dorian Gray.
A pintura do retrato de Dorian fora terminado de pintar, os três deslumbram o quadro de Basil por tamanha beleza e realeza, tanto que é denominado por Basil Hallward a sua obra prima; diz que não foi apenas suas pinceladas que ficaram na tela, mas sim uma parte dele.
Ainda encantando-se com a pintura e dissertando sobre ela, Dorian profere a emblemática frase como uma súplica: “Como é triste! Eu vou ficar velho e horrendo e medonho. Ele jamais envelhecerá além deste dia de junho... Se pudesse ser diferente! Se eu permanecesse sempre jovem e o retrato envelhecesse! Por isso – por isso – eu daria tudo! Sim, não há nada em todo o mundo que eu não daria! Daria minha alma por isso!”.
Em outro dia, após algumas conversas no ateliê de Basil, Dorian e Lorde Henry marcam para jantar e assistirem a uma ópera. Tal ópera em que Lorde Henry falha com seu compromisso e Dorian a assiste sozinho, presenciando pela primeira vez a atuação de Sibyl Vane, uma atriz por quem Dorian se encanta. Estes fazem a recíproca ser verdadeira após encontrá-la e beijá-la em seu camarote após a apresentação.
Depois da recorrência de suas visitas às apresentações de Sibyl, Dorian ou como Sybil Vane o chama: Príncipe Encantado; ele a pede em casamento e é aceito por ela. Eles convidam Lorde Henry para assistir a sua próxima ópera como forma de apresentá-los. Do mesmo modo Sibyl comunica o casamento a sua mãe e seu irmão, que jura acabar com a vida de Dorian caso faça qualquer mal a sua irmã.
Em uma noite foram ao teatro assisti-la Dorian, Basil e Lorde Henry, a expectativa era enorme; no começo da apresentação todos estavam com o sorriso estampado e as palmas ardiam no teatro; após Sibyl começar a recitar Julieta – a peça encenada era “Romeu e Julieta” de Shakespeare, W. – o caos foi instaurado, a voz de Sibyl era forçada, com qualidade medíocre, longe de qualquer parâmetro e elogio que Dorian Gray havia usado para descrevê-la, “estava amarga, fria e com uma interpretação insensível”.
Ao final da terrível apresentação, Dorian corre ao camarote de Sibyl achando que ela estivesse doente ou algo do tipo, mas o que ouve acaba completamente com a sua descrita “paixão pelas personagens de Sibyl Vane”: ela afirmou que descobriu o que era o verdadeiro amor, por isso não conseguiria mais encenar ou estipular emoções. Isso acabou com o encanto de Dorian por ela, que disse que nunca mais queria vê-la.
Ao chegar a sua casa sente-se indiferente pelo fim da paixão por Sibyl Vane e por arruinar seus sentimentos, mas ao olhar a pintura de seu retrato feito por Brasil Hallward, percebe uma estranha acentuação na boca que passava um ar de crueldade, mesmo sutil, era realmente perceptível a alteração na fisionomia.
No dia seguinte Dorian prefere inicialmente ficar isolado e, acima de tudo, tirar o quadro da vista de qualquer um que pudesse descobri-lo, portanto o esconde atrás de um biombo em seu quarto; Ignora as cartas recebidas no dia, entre elas uma carta de Lorde Henry, que aparece ao entardecer na casa de Dorian e explica o conteúdo da carta: Sibyl Vane está morta.
Após falarem sobre o assunto e Dorian Gray contar o ocorrido da noite anterior, ele profere a seguinte frase: “Eu assassinei Sibyl Vane”. Dorian chegou a tal conclusão pela morte de Sibyl ter sido um suicídio; ela estava sozinha em seu camarote e foi encontrada morta com o que acreditam serem cápsulas de ácido prússico que a mataram quase que instantaneamente. Mesmo comovido, Dorian, após um momento sozinho de autorreflexão, sente-se com seu estado de espírito trivial retomado e aceita o convite para uma ópera para distraí-lo no dia seguinte com Lorde Henry.
Após algumas conversas com Lorde Henry e Basil, Dorian percebe que realmente suas emoções parecem indiferentes: “Não quero estar à mercê das minhas emoções. Quero usá-las, aproveitá-las e dominá-las.”.
Em uma visita à casa de Dorian Gray, Basil Hallward pede para ver a pintura, que não estava à mostra aos convidados, com a intenção de expô-la em uma convenção de arte. Ambos os pedidos são negados por Dorian por querer esconder o segredo do retrato e a sua fisionomia de todo o mundo, inclusive do próprio pintor da obra.
Dorian, após sentir a necessidade real que seu segredo fosse escondido de tudo e de todos, pede para mudarem a pintura, envolvida por um pano, para uma sala escondida em sua mansão onde seria esquecida.
Um livro, “The St. James” apresentado por Lorde Henry muda ainda mais a perspectiva de Dorian sobre a vida, sua curiosidade e a sua corrupção.
Dorian viveu anos a fio conhecendo novas culturas e segmentos da vida antes inexplorados por ele, tanto do ponto de vista da vivência quanto do ponto de vista de que a priori não tinha capacidade psicológica para passar por tais fatos; fora subvertido.
Após muitos anos, Basil vai ao encontro de Dorian Gray em sua casa, Basil quer saber se as histórias de Dorian como “mau, corrupto e vergonhoso” são realmente verdades. Após as insistências de Basil, Dorian finalmente o leva para ver a pintura do quarto escondido de sua casa. Basil finalmente vê o retrato de Dorian e fica pasmo ao ver tamanho ar de desprezo, asco e repugnância no rosto da pintura, sente algo, como se toda a maldade do mundo ecoasse em sua fisionomia, embora seu rosto carnal continuasse jovem e belo.
Dorian culpa Basil por ter acabado com sua vida, por separar sua alma de seu corpo e, então, em um golpe de fúria arma-se com uma faca e o assassina com três golpes, deixando-o sentado em uma cadeira no andar solitário junto ao quadro, assim vira-se e vai embora do andar com quaisquer indiferenças sobre o ocorrido.
No dia seguinte, Dorian contata o amigo, Alan Campbell, um cientista, com o intuito de assim exterminar o corpo de Basil Hallward e as provas do crime com a ajuda de ácido nítrico, após um conjunto de insistência e chantagem a proposta é aceita por Campbell que faz o trabalho, mesmo horrorizado com tal feito, posteriormente isso o leva a cometer suicídio.
Pensativo e com algum sintoma de peso na consciência, Dorian resolve procurar um antro de ópio para poder passar um tempo sozinho e espairecer: “Queria fugir de si mesmo”, então vai para o cais e assim entra em um bar.
No bar, Dorian é acompanhado por duas mulheres velhas e um marinheiro, e é reconhecido por seu antigo apelido: Príncipe Encantado. O tal marinheiro era irmão de Sibyl Vane, James Vane, que queria cumprir sua palavra de acabar com a vida de quem fizesse mal a sua irmã – o que Dorian fez. James parte à caça de Dorian Gray, que só é interrompida quando percebe que corria atrás de um homem que tinha uma beleza jovial no rosto, um moço de aproximadamente 19 anos de idade, fato que não condizia com a idade que Dorian teria àquela altura, Sibyl havia morrido há anos atrás.
Após o acontecido, Dorian fica com medo de que possa ser morto a qualquer instante pelo jovem marinheiro, começa a ficar paranoico ao lembrar-se de Sibyl e todos os acontecimentos corrompidos de seu passado; tal sentimento é reforçado após a morte de James Vane com um tiro perdido em uma tentativa de acabar com a vida de Dorian que se traumatiza ferozmente com o acontecido, reflete que a corrupção e a morte o perseguiam.
Em uma noite Dorian tem um momento de reflexão sobre todo o caos que ele e suas atitudes causaram, então resolve “assassinar sua alma”; Dorian manuseia a mesma faca com que assassinou Basil Hallward e então golpeia o quadro. São ouvidos gritos e estrondos vindos do quarto.
Após entrarem no quarto para ver o que acontecera, encontraram pendurado na parede um retrato esplêndido de Dorian como era originalmente desde a pintura de Basil – jovial e belo – e, no chão, viram um homem de aparência repugnante, enrugado, usando um traje de gala. O corpo foi reconhecido apenas por conta de seus anéis: ali jazia o verdadeiro e decrépito Dorian Gray.

31 de março de 2017

Ausência do relacionamento interpessoal em virtude da tecnologia

Samuel Czusz


A tecnologia pode ser considerada parte da vida de um ser humano, isso é apresentado em diversos âmbitos, seja no trabalho, em momentos de lazer ou até mesmo entre o exercício de sua função e o tempo livre. Devido aos avanços tecnológicos, que têm o caráter de inovação, o ser humano nos dias atuais vive em um contexto onde a internet permeia e os celulares agora passam a fazer parte da vida de muitos. A revista VEJA mostra que em 2020, aproximadamente 5,7 bilhões de pessoas terão um telefone celular com acesso à internet. Sendo assim, o relacionamento virtual das pessoas será maior e, consequentemente, fora da internet reduzirá.
Partindo desse princípio, pode-se compreender que a internet sendo utilizada da maneira correta foi a melhor invenção já criada dentro da tecnologia, uma vez que tem o caráter de integração, comunicação e desenvolvimento de atividades à longa distância. Contudo existe o lado contrário, pessoas que dependem da utilização deste artefato acabam perdendo a aptidão para outros; tais como o relacionamento interpessoal que passa a ser menor. 
A alienação do usuário é excessiva a tal ponto que o mesmo passar a alimentar seu próprio ego com aquilo que está em uma rede social ao invés de se importar com as pessoas ao seu redor. Outro exemplo se dá quando o indivíduo não consegue se desligar do seu aparelho nem quando o mesmo não tem acesso à internet. A dependência nestas circunstâncias rompe o ideal da internet que seria o da interação entre pessoas, isso culmina em um vício que pode ser tão nocivo quanto o de um entorpecente como o tabaco e o álcool.
Em uma cultura que defende a superficialidade e a generalidade de tudo, as interações afetivas também se tornam momentâneas e passageiras, substituindo as conexões mais profundas e estreitas. Nessa roda viva as pessoas acabam rebaixando o amor próprio e, inseguras, se escondem cada vez mais nos bastidores virtuais, longe do enfrentamento concreto que a vida demanda.

24 de março de 2017

O canvas da vida e o pseudo-racional

Bruno Figueiredo


Diziam-na carente
Garota inocente

Bela
Talvez clemente

Olhar imaturo
Ambos no muro

Medo do risco
À vida do oculto

Por dias belos
Houve acanhada a flor

Mas fora falha
Antes mesmo de fervor

Peregrino não hei de ser
Talvez o revés fora este a me amover

Tomada a razão sobreposta à emoção
Mesmo transitória sendo a decisão

A vida minha ainda flui solitária
Mas vês tu como destinatária

Que fugaz seja
Apenas esta primeira vista

Pois a definitiva presa em
Eu estar contigo

E ti em ser da minha vida
A artista

21 de março de 2017

Vida

Bruno Carnevalli

Por ti declaro meu amor,
Que chegou e não notificou,
Sorriso que vi e me perdi,
Olhar que encarei e na perfeição esbarrei,
Abraço que para sempre queria estar sem as horas ver passar;

Amar é ficar sem pensar,
Querer sem querer,
Superar a ansiedade de querer te encontrar,
Na sinceridade de seu olhar descansar,
Besteiras falar sem ao menos se importar,
Chorar pelo outro se importar e aclamar pelo sossego do seu estar.

Amar não é só sorrir,
Também é se ofender sem saber,
Chorar por querer ficar,
Sofrer e se calar, só para o parceiro agradar,
Plantar para às vezes não florir e mesmo assim não se ferir;

Amar também é chorar,
Brigas encarar,
Ofensas aguentar,
Sem perceber brigas gerar,
Com a saudade ter que aprender a lutar,
Com os ciúmes lidar,
Se amar fosse perfeito, pelo seu nome iria chamar;

Amo-te como amo a vida,
A parte mais bela do meu ser,
No meu coração você se faz viver,
De todo nosso amor faz engrandecer,
Para muitos dizerem o que cansamos de saber,
Saber que contigo quero viver rumo à eternidade,
Lutar perante a sociedade,
Para nosso filho vermos crescer,
Juntos, “eu e você” deixara de existir e por “nós” passamos a nos referir.

20 de março de 2017

Contos da quebrada

Illan Yukio


Vivendo em periferia o jovem encontra a dificuldade de descobrir seu caminho em meio a tanta confusão, crescendo sem medo, se viu no crime para poder se sustentar e todo dia ele pedia perdão para sua mãe:
-Desculpa mãe por te fazer chorar, sei que a senhora tentou me avisar que vida bandida não iria compensar, tanto lutou para doutor eu me formar, mas foi a ganância que me impediu de escutar... Será na escola do crime que irei me formar.
O garoto sai em busca de mais um de seus esquemas, se junta com o bando no baile de sexta-feira, ostentando seus malotes de dinheiro de procedência dúbia.
Ele sabe que é um poder que vicia, que é difícil contê-lo. Sempre indo atrás de mais e desafiando o sistema pois desde pequeno era problema, crescendo sem medo de algema, fazendo do dinheiro parte do seu dilema:
“Inimigos vão brotar, de olho no meu lugar” – pensou enquanto fugia dos oficiais da lei. Porém ocorreu o cerco, sem pensar ele aponta sua arma para um civil e o coloca como refém. Não demora para os repórteres chegarem no local e acompanharem de perto seu último suspiro.
-Avisa pra eles que meu “bonde” não vai recuar. Se quiserem minha cabeça podem vir buscar!!!

Aonde ele chegou não conseguiu parar, no entanto seu jogo era bruto e em uma travessa sua sorte se pôs a provar. Essa frase foi noticiada na mídia local e sua mãe com a mão no peito via a cena das viaturas cercando seu filho no noticiário da tarde. Seu destino não foi bom como sua vida e no fim das contas o povo observava sua mãe chorando pela alma do filho no local onde foi baleado.

RESPIRE

Mateus Freitas da Silva 


...Abra os olhos, é um novo dia, porém com uma rotina velha. O trem está cheio, o ônibus está quebrado, as estradas estão travadas e você está só. Um som interfere em sua música, mas parece não te incomodar, afinal, você já está acostumado ao mundo ignorar. Ligar a rádio não lhe parece uma má ideia, mas será que o conteúdo transmitido será novamente sobre a miséria? Pois bem, você devora a sua barra de cereal, dó de você que nem tempo para se alimentar direito tem. Mas de acordo com a rádio, fique feliz, pelo menos uma barra de cereal você tem. 
   O céu está cinza, os prédios são cinza, o chão é cinza, será que você se tornará cinza também? Ou se destacará  desse quadro cinza como uma árvore com belas flores amarelas? Não importa. Café quente na mão, sentado no corrimão, esperando o busão, hoje realmente não está no padrão. Mas quem se importa com você? Desde que não chegue atrasado não haverás problemas, mas você já está passando por um problemão. Já se passaram 50 minutos, falta falar com os amigos virtualmente, pois ninguém tem tempo para se encontrar como antigamente. Oi, Como vai? Estou bem. A conversa termina e seus olhos se voltam para o mundo, aliás, que “belo” mundo.     
   Alguém estica o braço para te pedir uma moeda, mas simplesmente o ignora, você tem problemas demais para se preocupar com os dele. Você segue em frente, vira à direita, depois à esquerda, direita, esquerda, aliás, você é de Direita ou de Esquerda? Não importa. Continue caminhando, continue, continue, é preciso continuar. Faltam apenas 600 metros para o seu destino chegar. 
   Fones nos ouvidos e chaves na mão, bolsa nas costas pesando um montão. O suor desce pelo o seu rosto parecendo lágrimas. Lágrimas de cansaço, dor e calor. Se aproximando dos 200 metros você se depara com um cruzamento, mas está com pressa e não pode parar, não pode parar, não pode parar, pensa. Verde, amarelo, vermelho, você pensa em correr antes do verde aparecer, mas o vermelho pisca te alertando, seus pés querem correr, o farol quer te parar. Corra. Você corre disparadamente, assim como o veículo preto de alto padrão também. Os dois se chocam e a música nos seus ouvidos acaba. Então respire e...

10 de março de 2017

Ascensão à barbárie

Bruno Carnevalli

        Nos dias de hoje, a violência vem alcançando patamares assustadores e ganhando cada vez mais espaço nos noticiários, desde pequenas cidades até em grandes metrópoles como São Paulo. Mas será que a justiça com as próprias mãos seria a maneira correta para ampararmos? Segundo pesquisas, ocorrem quatro linchamentos – ou tentativas de – por dia no Brasil; cerca de um milhão de brasileiros participaram de atos desse tipo nos últimos 60 anos. Somos um dos países onde mais acontecem linchamentos no mundo.
É até compreensível que a população reaja das mais diversas formas na tentativa de se proteger. Entretanto, linchamento é a maneira mais errada de se fazer justiça, é a volta à “Barbárie”. Embora o estado possua algumas falhas, é seu dever julgar e autuar os culpados; se queremos tal justiça, devemos lutar pelas melhorias no sistema. Linchamento é uma decisão precipitada e, quando feito isso, independentemente da razão, nos tornamos criminosos também.
        Fabiane Maria de Jesus é a maior prova de que estamos regredindo de maneira lastimável. É inadmissível a situação à qual ela foi submetida: com 33 anos e 2 filhos para “criar”, foi linchada por centenas de pessoas no subúrbio de uma cidade litorânea após ser confundida com uma criminosa, pelo fato de ter oferecido uma fruta a uma criança. Isso desencadeou um processo de fúria em redes sociais, na qual internautas confundiram Fabiane com uma suposta sequestradora que estaria utilizando crianças para realizar rituais de magia negra.
        Concluímos que, com a justiça com as próprias mãos, estamos ascendendo à Barbárie, pessoas inocentes tornando-se criminosos por terem tomado más decisões. Não devemos tomar o lugar das autoridades e, mesmo que o Estado seja falho, devemos agir em conjunto para que com isso possamos corrigir erros. É indispensável que a população fiscalize e reivindique dos governantes melhorias na área da segurança pública e no sistema judiciário. Acrescem às medidas a necessidade de os usuários das redes sociais certificarem as informações que são compartilhadas, evitando assim os linchamentos. É inadmissível que a sociedade retroceda e considere como normais as barbáries que são cometidas por aqueles que procuram agir conforme as suas próprias leis.