3 de setembro de 2017

Resenha do livro "A Meta"

Giovana Leopoldo Guimarães

A obra "a meta", escrita por Eliyahu Goldratt, relata a dificuldade de um gerente em conciliar a vida profissional e a relação com a esposa e filhos. Nesta empresa que é citada, o gerente encontra uma série de dificuldades em administrar o tempo e os produtos finalizados, geralmente os produtos saíam atrasados e os clientes já estavam fartos dessa realidade.

O autor deixou de forma clara a ideia que o objetivo do livro é mostrar que as pessoas de poder dentro de uma organização precisam saber quais são os princípios e, automaticamente, a meta da instituição. Sabendo isso, deve associar as metas traçadas com o estilo de produção adotado. No enredo, o protagonista (Alex) tem apenas três meses para conseguir reverter a situação atual da empresa.

Em meio a tantos obstáculos ele acaba deixando de lado a vida pessoal, viajando e fazendo longos turnos de trabalho, atitudes que começaram a aborrecer a esposa (Julie) e entristecer os filhos, que sentiram a ausência do pai por estar tão focado na empresa.

O livro também cita abertamente a necessidade de calcular o gasto operacional, que seriam os gastos básicos para a produção e finalização do bem a ser comercializado. Também citou que o uso de estoque exagerado é um grande problema para a organização, pois é resultado de mão de obra e custos que estão parados e que, possivelmente, sejam comercializados em um tempo futuro.

Com ajuda de alguns companheiros, que conseguiram abrir os olhos de Alex mostrando como realmente identificar qual é a meta e qual os objetivos da empresa, foi possível uma melhora notável e satisfatória para o gerente e todos os funcionários.

A obra é indicada para estudantes de administração, economia, contabilidade e gestão de negócios, por se tratar de um assunto comum a estas áreas. Contém dicas e situações problema que podem ser aplicadas às teorias citadas no livro, ajudando no gerenciamento de produção e no ajuste do tempo operacional, reduzindo os custos e implantando novas tecnologias.

Observações...

Taynara Tosarelli Sandor


Nos últimos dias, venho observando o comportamento das pessoas ao redor; sejam no ônibus, na faculdade, nos mercados, ou até mesmo os amigos e colegas. Todos nós passamos a viver em um mundinho próprio e fechado, deixamos de nos importar com o que acontece com as pessoas. As pessoas não se cumprimentam mais ao passarem umas pelas outras na rua, não ajudamos mais os idosos nem ao menos para atravessar; não cedemos mais lugares nos ônibus, trens e metrôs para os que necessitam e não nos importamos mais com os que nos cerca.

Na faculdade, as pessoas não interagem mais, todas em celulares, notebooks, livros, cadernos e se esquecem do quanto é gostoso e divertido fazer amizades novas e, por culpa dos mesmos, acabamos perdendo pessoas maravilhosas.

Hoje em dia até o amor passou a ser uma disputa onde uns ganham e outros perdem, deixou de ser um sentimento puro e desejado e acabou perdendo sua essência. As pessoas se protegem, machucando umas as outras sem direito a uma chance para algo bom que possa surgir. Protegem-se para não serem machucadas e para talvez não machucar, porém sem sucesso.

Virou moda ser desapegado e amar virou “clichê”. Gostaria de saber até quando vamos viver assim: batendo uns nos outros, destratando as pessoas, ignorando aqueles que precisam de nós, discriminando-as pela roupa, estilo, cabelo, falando mal pelas costas e pela frente fingindo ser amigo. A moral e os valores, são distorcidos e esquecidos por uma sociedade que sente prazer no desprazer.

Precisamos progredir, tornarmo-nos pensantes, rever nossos conceitos dos acontecimentos atuais. Portanto, envio esta proposta: tente fazer algo legal, dar uma palavra amiga a alguém, ajudar o próximo. Sugiro sermos pessoas melhores a partir de agora.

Seja você!

Antônio Sérgio de Oliveira

Inspetor de alunos da FEI/SP


A vida passa... E os momentos são únicos! Por isso: Viva! Curta cada risada de um amigo. Sorria! Cada momento, cada gesto! Agradeça a Deus por respirar e andar! Acredite, você pode ir muito mais além... Basta acreditar! Sonhos se realizam sim! Viva intensamente! Não tenha medo! Se arrisque... Se errar, não tem problema, você aprende com o erro! Grite! Não seja um personagem... Seja você! Faça com que as pessoas te aceitem pelo que você é, e não pelo que tem ou deixe de ter! Reclame! Lute pelos teus objetivos! Problemas? Todo mundo tem... Cresça com eles!

19 de junho de 2017

Resenha do filme A Cabana

Roberta Campos


No dia 7 de abril de 2017 estreou nos cinemas o filme “A Cabana”, uma obra cinematográfica baseada no livro de William P. Young, publicado em maio de 2007. Um Best seller que teve mais de 18 milhões de cópias vendidas no mundo todo, sendo que, segundo pesquisas secundárias, a princípio o livro não foi escrito para ser publicado, era apenas um presente para 15 amigos do autor. Logo, é possível perceber o poder de uma boa obra literária, pois o que era destinado a 15 pessoas, acabou alcançando pelo menos 18 milhões de leitores, que por algum motivo se identificaram com o enredo.

O filme conta a história de uma família formada por uma mãe, um pai e três crianças (Josh, Kate e Missy) que a princípio eram muito felizes, pois tinham uns aos outros. Embora o passado de Mack tivesse sido conturbado, uma vez que seu pai era alcoólatra e batia na esposa, ele visava respeitar sua família, justamente da forma que seu próprio pai não fez com ele e com sua mãe.

Um dia, o pai (Mack) foi acampar com os filhos em um bosque. No dia posterior a data em que chegaram ao local, os filhos mais velhos de Mack estavam se divertindo em uma canoa enquanto Missy, a filha caçula, estava desenhando, próximo ao trailer da família. Repentinamente, sua irmã mais velha ficou em pé na canoa, fazendo com que o barco tombasse. Seu irmão ficou submersamente preso na canoa. Mack, o pai, imediatamente correu para salvar o filho, porém esse foi o motivo para que a família ficasse incompleta naquele momento, pois enquanto o pai salvava o filho, Missy (a caçula) desapareceu. Havia apenas sinais de que ela teria sido violentada e depois brutalmente assassinada em uma cabana em meio às montanhas.

Devido a este ocorrido uma profunda tristeza tomou conta da família. Principalmente no pai e na filha mais velha que se sentiam culpados pelo ocorrido. Cerca de três anos e meio depois, Mack recebeu um bilhete misterioso, que supostamente havia sido escrito e enviado por Deus, onde ele o convidava para visitar uma cabana localizada no bosque onde ocorreu a tragédia com sua filhinha.

Depois de finalmente chegar à cabana onde tudo aconteceu, Mack foi direcionado até uma cabana linda em um local semelhante com o que se imagina ser o paraíso. Lá ele encontrou com a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), que foi personificada pelo autor de uma maneira diferente ao que muitos imaginam ser na realidade. Aos poucos, ele passa a se acostumar com a ideia de estar próximo de Deus e começa a aceitar e a aprender com o ocorrido.

Depois de aprender a perdoar a si mesmo, ao seu pai e ao assassino de sua filha, Deus o levou para um passeio em que teve a oportunidade de rever Missy e perceber o quanto ela estava bem.

Por fim, Ele mostrou à Mack onde o corpo de Missy estava e juntos, transportaram até um esquife de madeira, construído por Jesus, onde o corpinho dela descansaria em paz.

Quando Mack retornou para a sua cidade, acabou sofrendo um acidente de carro, ficando assim, internado em um hospital. Para surpresa de todos, inclusive do protagonista, ele “nunca realmente chegou a voltar para a cabana onde o crime aconteceu”. Na verdade, durante seu trajeto um carro veio a colidir com o seu, resultando em três dias em coma.

Ainda no hospital, Mack conseguiu convencer a esposa dos momentos em que passou com a Santíssima Trindade e acalmou o coração de Kate (a filha mais velha), tirando um pouco da culpa que ela mesma sentia.

O filme possui 2 horas e 13 minutos de muita emoção e é indicado para pessoas que gostam de obras cinematográficas que deixam uma mensagem de reflexão para ser levado para a vida, independente da religião.

18 de junho de 2017

Incoerências cotidianas

Kimberly Tuane Candido


O Pequeno Príncipe, apesar de soar como livro infantil, traz grande reflexão sobre como vivemos. Claro que uma criança – como eu que li pela primeira vez aos dez anos – não entenderia as metáforas por trás da aventura, mas agora relendo percebo a importância de cada aspecto do livro. O livro foi lançado em 1943 pelo autor francês Antoine de Saint-Exupéry.

Quando um aviador se encontra em meio ao deserto do Saara com seu avião quebrado, surge um menino misterioso. Este critica que as pessoas são condicionadas a pensar apenas com números, visar à quantidade e não a qualidade. Dá-se o exemplo de que quando esses avistam uma casa não contam às outras pessoas as características da casa, o que os impressionará é o quanto custa essa casa.

O narrador conta que após deixar seu planeta para fazer novos amigos, o Pequeno Príncipe visitou uma seria de sete planetas, cada qual representando uma característica da sociedade. O primeiro era habitado somente por um rei prepotente que ensinou o Pequeno Príncipe que, para ter obediência, é preciso dar ordens razoáveis e que possam ser cumpridas. Na desculpa de que deve haver condições favoráveis para a obediência, esse escondia que na verdade ele era impotente com relação em governar alguém ou algo em seu planeta – já que era o único habitante. O desejo sobre poder e a hipocrisia são as lições passadas nesse planeta. O segundo planeta representava a vaidade, pois seu único habitante exigia prestígios, elogios e aplausos a todo o momento. O Pequeno Príncipe então questionou “para que lhe serve isso?”, uma questão difícil de se responder uma vez que a vaidade, no mal sentido, é um ato mesquinho e que não tem utilidade para fazer bem a outras pessoas.

No próximo planeta havia um bêbado que bebia para esquecer que tinha vergonha de si mesmo por beber. Um ciclo vicioso que o impossibilita de ver além e perceber que aquilo não fazia sentido algum. No quarto planeta havia um empresário com a lógica semelhante à do bêbado: contava estrelas, as possuía e usava as estrelas que tinha para comprar mais estrelas. Nem mesmo tinha tempo para acender seu cigarro, sempre focado em contas gigantescas para medir o quanto ele era rico e o quanto mais poderia ficar. Afinal, para que servem os aplausos, as quantias de estrelas, a obediência e o paradoxo do bêbado senão apenas encher a vida destes com práticas inúteis e infundadas? O empresário se dizia um homem ocupado, mas para qual finalidade? Justamente porque o “ter” é mais valorizado do que o “ser”. Ter poder, prestígio, objetos de valor dentre outras coisas prende o ser a situações que não o leva a nada de fato com valor.

O quinto planeta era pequeno e havia nele apenas um lampião e um acendedor de lampiões que era responsável por ligar e desligar a iluminação. Ele se queixava que seu trabalho era muito cansativo, uma vez que nesse planeta cada dia tem um minuto de duração, tendo ele então de acender e apagar o lampião conforme manda o regulamento. Antes os dias eram mais longos, por isso o trabalho dele era mais fácil e fazia sentido. Embora a rotação de seu planeta tenha aumentado o regulamento não mudou e ele continuou alienado a esse processo sem contestar se era plausível e viável diante das situações atuais. Muitas das vezes nos prendemos a normas e regulamentos que não percebemos que tudo seria mais fácil se fossemos flexíveis às mudanças e nos limitássemos menos aos procedimentos. No sexto planeta um geógrafo estava em situação semelhante. Ele não havia nada de seu planeta para catalogar porque ele simplesmente não podia ir desbravar seu território. Segundo ele, apenas exploradores podem ir a campo pesquisar e levar os dados coletados ao geógrafo que somente cataloga e coloca em livros. Limitado por sua profissão, ele perde muita coisa que poderia ser importante como, por exemplo, catalogar a rosa do Pequeno Príncipe de seu planeta. A visão míope o impede de ver que sua profissão o tornou obsoleto, uma vez que depende de outra para funcionar.

O ultimo planeta que o Pequeno Príncipe visitou foi a Terra, uma lugar onde há milhares de reis, vaidosos, bêbados, empresários e geógrafos. Ele aprendeu na Terra, através da raposa que se tornou sua amiga, a amar sua rosa que havia deixado sozinha e desprotegida em seu planeta. Com a célebre frase “O essencial é invisível aos olhos”, a raposa o fez perceber que deveria ter dado valor a rosa, ela é única no mundo para ele. Os laços que eles criaram e o tempo que ele dedicou a ela a tornou insubstituível.

No dia a dia corrido e estressante muitas das vezes não nos damos conta de quantas incoerências praticamos. Buscar a felicidade em coisas superficiais é apenas o começo de uma seria de ignorâncias que cometemos. Deixar que a vida passe sem ao menos ter vivido como se quer. A felicidade pode ser encontrada em coisas grandiosas ou pequenas, mas em grande parte ela se faz nas situações que importam de fato para a pessoa. Cada um de nós é único e insubstituível, por isso é muito subjetivo definir o que é realmente importante na vida. Por essa razão o autor Antoine de Saint-Exupéry traz uma relatividade em “o essencial é invisível aos olhos” e “só se vê bem com o coração”, dessa forma cada um pode refletir sobre o que é importante para si.

A busca persistente pelo inexistente

Maria Eduarda Regis Amadeu


Título do livro: O conto da ilha desconhecida
Autor: José Saramago 

O livro “O conto da ilha desconhecida”, de José Saramago, é classificado como um conto, por conta de ser uma leitura rápida e breve. Ele também é considerado uma fábula, ou seja, é um texto curto, que contém uma lição de moral em seu término representado pela metáfora, que nada mais é do que uma comparação entre dois termos, com representações simbólicas para explicar uma situação contida no mundo real. Além dessas características, o livro proporciona aos leitores uma escrita muito diferente do que normalmente costuma-se ver, de uma maneira que não é comum utiliza-la na forma cotidiana. Usa-se muito o pronome “tu” e o verbo de ligação “és”, além do livro todo ser escrito sem pontuações, usando apenas vírgulas e pontos finais.

A leitura, de uma forma simplificada, conta a história de um homem que vai até o rei e lhe pede um barco. Porém, para transmitir uma mensagem ao rei, a pessoa deve bater na porta das petições, onde é atendida pela mulher da limpeza, que passa a sua mensagem para terceiros, até chegar ao ouvido do rei. Logo, essas são as três personagens do livro: o rei, o homem e a mulher da limpeza.

O homem é a pessoa que pede um barco ao rei, com o intuito de ir à procura de uma ilha desconhecida, insistindo que ela existe, mesmo todos dizendo que não. Por esse fato, pode-se ver claramente que ele é um homem determinado e que tem confiança naquilo que quer, ficando até “cego” por não enxergar as outras coisas que existem ao seu redor, visando apenas o seu desejo.

Como a leitura do livro é uma fábula, sua história tem como finalidade ensinar uma lição ao seus leitores. E, ao longo da história, pode-se ver que a principal mensagem transmitida é: muitas vezes o ser humano busca por algo que não existe (uma ilusão), quando o que a pessoa realmente precisa está ao seu lado e ao alcance das mãos, como por exemplo as pessoas que amam, que querem o bem, ou simplesmente aquilo que alimenta a alma, e são esses pequenos detalhes que dão sentido à vida, sendo que muitas vezes aquilo que um ser busca não é algo tão importante quanto. Relacionando-se esse fato com a história, ela se encaixa quando a mulher da limpeza está acompanhada do homem no barco e se vê triste, porque percebe que o homem só tem olhos em encontrar a ilha desconhecida, e não tem olhos para ela. No caso, o homem precisaria apenas de uma pessoa ao seu lado, prevalecendo o amor, e não de estar isolado, à procura de algo que não seja tão preciso e que talvez nem exista.

O livro tem aspectos bem diferentes da maioria, o que torna-o interessante, como seu formato de escrita e sua pontuação são colocadas e a maneira como a história é contada. Sua leitura pode ter várias interpretações e até ter um não entendimento diante de alguns leitores em relação a qual mensagem o livro quer transmitir. Uma pessoa que tenha oportunidade de ler esse livro, seria uma experiência interessante e valeria a pena.

Lembranças da Minha Terra

Ana Lucia Pereira da Silva


Recentemente, tem-se notado que a cultura regional brasileira vem sendo deixada de lado e não tem recebido a atenção que merece. O termo cultura regional é usado para designar os costumes de cada região brasileira; neste aspecto, é levado em conta o fato de que tudo é modificado pela cultura que esta inserida e pelo meio no qual está inserido.

Em um país como o Brasil que, desde cedo, tem recebido uma grande inserção de culturas variadas em seu território, ainda é uma surpresa encontrar diferenças enormes entre regiões. Um dos fatores que mais evidenciam isso é a culinária típica, nela é possível notar a impressionante forma de como cada região consegue desenvolver seu estilo próprio e colocar nos alimentos sua cultura.

Tendo uma extensão de terra tão grande como o do Brasil, é difícil manter uma correlação de entre as culturas regionais, pois em certos lugares uma acaba sobrepondo a outra. Por isso, a iniciativa de introduzir elementos de outras regiões na onde se vive são sempre vista com bons olhos e beneficiam não somente aqueles relacionados na iniciativa como também pessoas que pertençam a essa região e por algum motivo tiveram que se mudarem.

Por outro lado, mesmo que lentamente as pessoas têm fornecido meios de fazer com que a cultura regional seja algo compartilhado com todos para que assim possa se conhecer realmente em sua totalidade o país em que se vive.

Por fim, já não restam dúvidas que a cultura regional deva ser algo muito discutido, posteriormente e a atenção devida seja dada, mas mesmo assim temos evoluído muito neste aspecto e estamos proporcionando meios de trazer a cultura de outras regiões para o cotidiano, como, por exemplo, cafeterias e restaurantes com temas baseados na cultura nordestina. O Brasil tem uma rica cultura ainda ignorada, mas que esperançosamente espera-se que possa ser disseminada, primeiramente nacionalmente para que então pensar em introduzi-la em outros países.

Um desabrochar para o mundo

Talisson dos Santos Ribeiro

Hibisco Roxo
Chimamanda Ngozi Adichie

Hibisco Roxo, da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, narra o colapso de uma família diante do fanatismo religioso de seu chefe. A narrativa se desenrola na Nigéria e conta a história da família de Kambili, a protagonista e também narradora da mesma; que é assombrada pela figura de seu pai, Eugene, um capitalista detentor de grandes posses e fanático cristão que impõe a ela, à sua mãe, Beatrice, e a seu irmão, Jaja, um padrão de comportamento extremamente rígido e opressor pautados pela doutrina católica.
A tirania e obsessão de seu Eugene se manifestam fortemente no comportamento de Kambili, uma adolescente tímida, retraída, solitária e paranoica que mede suas ações e até mesmo seus pensamentos com base nas reações e nas possíveis e severas punições que seu pai infligir-lhe-ia caso as julgassem impróprias, pecaminosas e não condizentes com a doutrina católica. Como quando ele queima seus pés com água quente ao descobrir que ela dormiu sob o mesmo teto que seu avô (um dos raros seguidores que ainda são devotos às crenças regionais nigerianas e que não sucumbiu à maciça colonização cristã imposta pelos conquistadores brancos europeus no país e com o qual Eugene rompeu definitivamente o vínculo paterno por considerá-lo pagão e profano) numa visita à casa de sua tia Ifeoma (professora universitária e figura de grande admiração e inspiração para Kambili). Através do contato que Kambili tem com sua tia e com seus primos (Amaka e Obiora, adolescentes mais esclarecidos e rebeldes, ao contrário dela e de seu irmão que vivem perseguidos e acuados pela sombra de Eugene), ela, gradativamente, vai se libertando das “garras” de seu pai. É um processo de “desabrochar” para o mundo, semelhante àquele sofrido pela variedade de plantas que crescem no jardim de sua casa, em especial os hibiscos roxos, flores raras que são objetos de muita cobiça. Por meio da convivência com a família de sua tia, Kambili conhece o padre Amadi por quem desenvolve uma paixão. Devido à instabilidade política e econômica da Nigéria, sua tia e seus primos se mudam para os Estados Unidos e o padre Amadi é enviado à Alemanha como missionário, motivos de grande tristeza, solidão e desamparo para ela. Ao mesmo tempo, seu pai é encontrado morto em uma de suas fábricas e, logo em seguida, seu irmão é preso ao confessor ser o responsável pela morte dele ao tê-lo envenenado.
O fanatismo religioso de Eugene e as drásticas consequências que ele acarretou à família de Kambili nos remetem, num contexto social mais amplo, ao sofrimento e a tragédia causada pelos grupos fanáticos e extremistas do Oriente Médio. Como o autointitulado Estado Islâmico, que está devastando países como a Síria, por meio de sua “guerra santa”; expulsando famílias de suas casas, cometendo assassinatos bárbaros de forma deliberada e espalhando terror pelo mundo, justificando tamanhas atrocidades com a doutrina religiosa à qual são devotos (o Islamismo).
Em síntese, Hibisco Roxo, nos transmite uma mensagem de liberdade ao nos mostrar o florescer de uma adolescente em meio à tirania e à opressão causadas pela obsessão de seu pai em obedecer à risca uma doutrina religiosa. A obra também faz um retrato sobre a realidade da Nigéria e os efeitos devastadores que a colonização branca causou em todo o continente africano de modo geral. A trama também nos atenta sobre a importância crucial e extremamente necessária da tolerância e do respeito às diferenças, sejam elas de quaisquer natureza. Um livro que merece ser lido e que, certamente, terá um lugar cativo na memória de quem o ler pela reflexão que proporciona e pela lição que nos ensina.

11 de junho de 2017

A Última Vida de Gregor Samsa

Felipe Zapella Germano Nastari


Resenha do livro: A Metamorfose, de Franz Kafta

A Metamorfose, a mais famosa obra de Franz Kafka, se inicia com Gregor Samsa acordando de um terrível pesadelo, preocupado com o trem que precisava pegar. Ao acordar, percebe que ele próprio se transformou em um inseto gigante. Essa nova condição o impossibilita de cumprir seus compromissos como caixeiro-viajante, único sustento da família.

A família de Gregor se choca quando descobre o que havia acontecido com ele e decide mantê-lo dentro do quarto. A única pessoa da casa que se mostra afetiva a ele é a irmã, Grete, que durante um tempo cuidará dele e das tarefas da casa. Com o passar dos dias, o pai, a mãe e a própria irmã de Gregor, arrumaram empregos para se subsidiarem e passam a negligenciar o ente transformado. Em uma última tentativa de tentar chamar a atenção da família, Gregor vai até a sala, onde é mal tratado. Reúne, então, todas as suas energias para retornar para seu quarto, mas, quando chega, sua tão estimada irmã o trancafia. Gregor morre do cansaço e do desgosto. Sua família se vê livre e passa a sonhar com o futuro.

Gregor é a própria essência da vida humana. Enquanto homem era explorado pelos patrões e pelos familiares. Contava apenas com o afeto da irmã. Quando se transforma em inseto, vivência o horror, o nojo e o abandono, mas em momento algum ele perde a mais humana característica, que é a memória, é reconhecer seus familiares e amigos, por mais que o exterior esteja diferente.

Reconhecer igualdade nos outros parece ser a coisa mais difícil nos dias de hoje. Vivemos em um tempo de matanças desproporcionais sem motivos em que o homem mata o homem. E nenhum desses homens mortos havia se transformado em inseto ou outro bicho tão distante de nós.

Esta, talvez, seja a grande proposta de Kafka. Ao transformar Gregor em algo não humano, ele levou, ao protagonista, a verdadeira experiência de humanidade. Ele humanizou o não humano. É uma pena as pessoas lerem este livro pensando apenas no inseto, e não na transformação humanística. Humanidade não é só corpo, é alma também e sem alma não se vive. Este livro deveria ser lido por todas as pessoas, pois traz uma reflexão e uma mensagem sobre a natureza humana que muitas vezes nos esquecemos de fazer.

Crônica: Raízes e Sentimentos

Ana Lucia Pereira da Silva


Não faz muito tempo que cheguei aqui, se não me engano apenas quinze anos. Uma nova vida se abriu desde que eu deixei minha terra natal e tudo que eu conhecia para trás, a cidade grande de São Paulo sempre foi conhecida pelas oportunidades de emprego que fornecia e esse foi o motivo de eu ter vindo para cá. Mesmo com o tempo passando, eu não consigo esquecer minhas raízes, minhas lembranças permanecem firmes e em alguns momentos são o que me impedem de ficar triste.

Eu me lembro das pessoas, como todas conversam entre si e se conheciam, é o que costuma acontecer em uma pequena cidade do interior com poucos habitantes, me lembro dos lugares que frequentava, da natureza abundante e, especialmente, lembro-me das comidas que fazíamos. Nossa culinária sempre dizia muito sobre o povo, desde um café com garapa de cana-de-açúcar aos biscoitos e chimangos. Talvez seja por essa essência de cultura tão introduzida na comida que elas são as coisas que mais remetem as minhas lembranças.

Não é fácil encontrar alimentos como aqueles que existem no nordeste aqui na grande metrópole, mas quando encontrado é como se alguns biscoitos e chá se tornasse o mais maravilhoso banquete e eu estive reunido com minha família novamente. Cada mordida evoca os melhores momentos que eu vive e as pessoas com quem convive, não são fáceis de explicar os sentimentos que a culinária nordestina trás porque simplesmente não há palavras para descrever a sensação. Espero que algum dia a nova geração seja capaz de sentir algo parecido, mas confesso que ainda estou receoso que isso possa ocorrer porque para que se possa ter uma experiência como essa é preciso ter sensibilidade algo ausente nas pessoas atualmente.

Mesmo que eu esteja longe de tudo aquilo que eu amo, quando eu me encontro diante de comidas típicas nordestinas é como se esse manjar me desse a oportunidade de estar perto novamente nem que seja em pensamentos, lembranças e o que só fortalece minhas raízes.

A correlação entre a disciplina jurídica e o curso de administração de empresas

Roberta Campos


Geralmente quem cursa administração de empresas, visa obter uma visão holística a fim de conquistar futuramente um cargo de gestão ou criar uma sociedade empresarial. Entretanto, abrir uma empresa não é tão simples quanto parece.

Em direito empresarial, se aprende que empresa é unicamente a organização em que possui fins lucrativos, caso contrário, poderá ser considerado uma fundação, ONG ou associação, por exemplo.

Uma empresa deve ser registrada na Junta Comercial ou no Cartório de Registro de Pessoa Jurídica, apresentando um documento nomeado como contrato social.

O contrato social é um dos documentos mais importantes para a abertura e manutenção de uma empresa, uma vez que nele devem conter todas as respostas para um possível problema na organização.

Há regras também para os procedimentos relacionados à criação da razão social, capital social e criação de CNPJ, por exemplo.

Pode-se afirmar que o direito também está ligado diretamente à estratégia de uma empresa, podendo relacionar-se desde a escolha da natureza da sociedade até a possibilidade em ter uma marca, como vantagem competitiva.

É extremamente importante um planejamento eficaz a curto, médio e longo prazo, além de obter colaboradores qualificados a fim de garantir a qualidade plena dos produtos e /ou serviços de acordo com o que é estabelecido no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Além disso, agir com boa fé deverá ser uma obrigação de todos os envolvidos na sociedade empresarial, assim como satisfazer as necessidades do público – alvo.

A má gestão é inadmissível para o sucesso de uma organização. Entretanto, no caso de estar dentro dos requisitos pré-estabelecidos, a empresa possui o direito a participar da recuperação judicial, que nada mais é do que mecanismos dados à empresa para dar continuidade em seu objetivo.

O direito está presente direta e indiretamente na vida dos cidadãos, consumidores, empresários, pais, filhos, fornecedores e na biodiversidade como um todo; logo, fica mais fácil de entender a importância desta disciplina no curso de administração de empresas.

3 de junho de 2017

Entrevista com o professor Fernando Marques

Confiram a mais nova entrevista realizada pela professora Giselle Larizzatti com o professor Fernando Marques.

29 de maio de 2017

Mulher que sofreu aborto não tem direito à estabilidade.

Leonardo Melo


Em novembro de 2013, uma mulher, que teve identidade protegida, sofreu um aborto espontâneo. O aborto espontâneo trata-se de uma perda de gravidez antes da vigésima semana, seguido de dores nas lombares ou na vagina, o feto presente na barriga, através de inúmeras complicações, acaba vindo a falecer. Por mais que seja relativamente comum (30% das mães passam por isso), a dor de perder um filho geralmente vem acompanhada por tratamento psicológico intenso.

Ela estava afastada com justificativa legal baseada no artigo 10, inciso II do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal/88, que confere à empregada gestante a estabilidade provisória desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.
Entretanto, 17 dias após ter alta, a mesma foi demitida, sendo alegado que não possuía os direitos previstos no ADCT por tratar-se de um aborto, e não parto.

Em primeira instância, após recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), foi concedido a ela o direito do pagamento do seu salário, condenando a empresa a pagar o salário pelo período de 5 meses, previstos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A empresa condenada recorreu logo ao TST (Tribunal Superior do Trabalho), alegando novamente que não se tratava de um parto, e sim um aborto. Ao analisar o pedido, o desembargador João Pedro Silvestrin deu razão à empresa, dizendo que a mesma respeitou o período de 2 semanas previsto no artigo 395 da CLT que prevê o repouso remunerado pelo período de 15 dias e concluindo que não deveria a empresa ser condenada.

Tirando os direitos da mãe que, involuntariamente, teria perdido seu bebê.

O questionamento que aqui indago é:

Até quando um feto não será reconhecido como uma vida, sendo assim, sua possível morte um caso que não se trata de responsabilidade governamental?

A ilha desejada

Giovana Leopoldo Guimarães


Resenha do livro "O conto da Ilha desconhecida"
José Saramargo

A obra relata o desejo de um cidadão simples em conseguir dominar terras desconhecidas. Com muito esforço, ele consegue um barco emprestado do rei, que desacreditava no seu poder e, por fim, o homem conseguiu realizar a navegação e ainda levar uma companhia.

A mulher da limpeza do palácio do rei foi quem teve a coragem de acompanhá-lo nesta jornada sem destino. Isso reflete a vontade, dentro de cada um, em mudar a realidade em que se encontra numa fuga desesperada, buscando uma mudança no cenário de trabalho; além de a personagem ser fria com relação a um pedido que foi solicitado.

O contexto visa que devemos nos arriscar em situações em que não temos mais saídas e que, quando alguém tentar impedir, devemos ser persistentes, assim como se exemplificou no livro: a busca incontrolável para ter um pequeno barco que conseguisse realizar os objetivos.

O enredo é de difícil entendimento, pois o autor não respeita as normas gramaticais, excluindo o uso de pontos, vírgulas, travessão e isso acarreta uma grande dificuldade na assimilação de informações. O público alvo indicado seria o adulto por conta dessa linguagem mais complexa, ou seja, pelo uso de palavras que geralmente não são de hábitos do cotidiano.

O conto da ilha desconhecida é um texto muito rico em despertar os desejos individuais que não são citados na obra, fazendo a reflexão de que quando um desejo é saciado, ele acaba despertando outro que jamais você teria imaginado.

O grande inseto que traz à tona a rejeição

Amanda da Silva Pretel


A metamorfose
Franz Kafta

O livro relata a história de Gregório Samsa, que em certo dia acorda transformado em um gigante inseto. De início é perceptível do mesmo, uma vez que se vê sem condições de sair do quarto, com certo receio de que seus familiares vão pensar ou de como vão agir. Certo medo é de fato evidenciado ao longo do livro, já que há rejeição por parte dos pais. Gregório, então, permanece dia após dia confinado em seu quarto, sendo, verdadeiramente, tratado como o bicho que se tornara. Ainda que Gregório tivesse ajudado sua família enquanto ser humano, seus pais o esqueceram e, por final, desejaram sua morte.

Grete, irmã de Gregório, se porta diferente frente a situação. Ela enxerga que por detrás daquele terrível inseto ainda está presente a figura de seu irmão. Ainda que assustada e confusa, ela faz o possível para que Gregório tenha a maior comodidade mesmo como um inseto. A princípio Grete se vê receosa pela aparência do irmão e não quer ir contra a posição dos pais, que dizem que Gregório deve ficar em seu quarto sozinho. Mesmo assim, a irmã, por mais discreta que fora, ajudara o irmão, colocando, todos os dias, uma tigela de comida em seu quarto. Por muitas vezes Gregório não sentia vontade de comer e com o passar do tempo foi se afundando numa depressão, marcada pela solidão e rejeição que enfrentara. Apesar de o irmão precisar se esconder para não assustar Grete, e por muitas vezes o mesmo nem tocar na comida colocada pela irmã, ela fazia questão de manter o quarto limpo e trocar a comida, procurando as preferências do irmão e se portando de maneira digna frente à situação.

Determinado fato, ainda que fictício, revela o preconceito, assunto muito comum na atualidade. Gregório era o filho exemplar, ajudava a família trabalhando sem parar e quando se vê necessitado de ajuda é completamente abandonado e rejeitado. Tal situação mostra como, muitas vezes, pessoas são esquecidas e destratadas por terem certo problema físico, mental ou emocional. Ao final do livro, até mesmo a irmã de Gregório se revolta com o acontecido e deseja a morte do irmão, que realmente acaba falecendo, esquecido, abandonado e de profunda tristeza, para o alívio da família.

O livro não é de fácil leitura, composto por palavras de difícil compreensão, provoca ao leitor uma maior atenção e concentração, porém é um livro curto, sendo assim não muito cansativo, todavia indicado para jovens e adultos, já que há uma dificuldade de entendimento. Contudo, o livro traz uma mensagem forte, se bem interpretado, levantando uma questão muito discutida e vivida: o preconceito. Que deveria ser totalmente extinto, uma vez que só agrega malefícios ao indivíduo e à sociedade como um todo.

23 de maio de 2017

Desvendando a leitura

Kimberly Candido


Para muitos, o universo da leitura ainda é um terreno desconhecido e até mesmo evitado. O que eles não sabem, é que a habilidade de ler um livro não é algum tipo de dom ou poder especial: é tudo questão de prática.

Ler abre os horizontes, mesmo sem sair do lugar. Transforma uma pessoa por dentro, diverte e informa. Lendo, podemos desenvolver nosso raciocínio lógico e exercitar a memória, de forma que não somente beneficie o cérebro, como também aumente a qualidade de vida. Com isso, a habilidade de discursar e se comunicar em qualquer ocasião aumentam muito; algo que, principalmente no mercado de trabalho, é imprescindível.

Ninguém gosta de estar por fora em uma conversa, discussão ou debate. Para se ter uma argumentação mais embasada é necessário ler não apenas as manchetes; é preciso de fato conhecer e entender o que se está falando. O poder de persuasão, via de regra, é proveniente da boa fala e da boa argumentação. Além de desenvolver o senso crítico, a leitura pode somar muito para a criatividade, aumentar o vocabulário e, com isso, também tornar a escrita melhor.

A leitura pode não ser sobre assuntos técnicos ou aqueles textos de mil páginas – embora também sejam muito necessários. Basta que desperte seu interesse e já terá efeitos muito positivos em sua saúde mental e desenvolvimento intelectual. Também é preciso lembrar que para ter qualidade no que se lê, é necessário entender, refletir e absorver a mensagem que a obra nos proporciona. Ler centenas de livros e não tirar nenhuma lição destes é enganar a si mesmo. A leitura de livros de qualquer gênero, seja em qual formato for – virtual ou físico – tem muito a acrescentar em nossas vidas, basta que estejamos atentos e de braços abertos para o que cada obra tem a nos oferecer.

14 de maio de 2017

A Sociedade da Informação, Prioridades Invertidas

Ana Lucia Silva


Não é de hoje que a leitura tem sido um assunto comentado e discutido, isso porque os hábitos de ler foram modificados devido à introdução de novas tecnologias. As mudanças no cotidiano da sociedade modernizada e o fato de que um mundo que age racionalmente não consegue ter embasamento teórico é realmente controverso. Como se tornar uma sociedade com sabedoria e conhecimento se não procuram aprimorar aquilo que sabem e conhecer o lhe é estranho, ainda mais se considerarmos que vivemos em um mundo interligado e que vive em constantes transformações.

Qual seria, então, a importância da leitura para as pessoas atualmente? Para responder essa questão temos analisar quais benefícios a leitura trás. Não se pode afirmar que ela tem somente uma utilidade já que é um método de estudo e pesquisa, um ótimo hobby, além de ser comprovado cientificamente que ler faz desenvolver áreas do cérebro que costumam estar ociosas. Ler nunca vai fazer mal, pelo contrário, gastar trinta minutos com um livro não é nada mais que investir em conhecimento.

Atualmente, as pessoas têm-se encontrado com menos tempo, seus dias parecem mais curtos, perdemos a essência das verdadeiras prioridades e começamos a confundir informação e conhecimento. Mas como ler em um mundo repleto de informações e métodos para atrair nossa atenção? A parte mais difícil é realmente convencer uma pessoa a deixar de verificar, por exemplo, suas redes sociais por algumas horas para ler algo. Estamos tão acostumados a sermos coagidos a fazer aquilo que aparentemente apresenta um custo beneficio que exige menos esforço, que não percebemos que o verdadeiro valor será em longo prazo. Os grandes pensadores tinham base de suas teorias em documentos e manuscritos, nem que fosse para criticar e apontar erros eles liam para saberem do que comentavam.

Podemos, dessa forma, afirmar que a leitura além de nos permitir conhecer uma diversidade de cenários, melhora o vocabulário e nos fornece, mesmo que por algumas horas, um refúgio. Um equilíbrio entre a vida corrida e um espaço para leitura é essencial para um progresso interno. Por fim, podemos responder a questão inicial: para que possamos continuar progredindo da forma que estamos e descobrir novas coisas é preciso ler, porque sem isso ficaremos estagnados e sem saber para onde ir. Ler foi o que fez com que a humanidade chegasse ao patamar em que esta hoje e, portanto, será os degraus que sustentam a sociedade no decorrer dos próximos anos.

Resenha do livro “A Metamorfose”

Vinícius Dutra Sammarone

Título: A Metamorfose
Autor: Franz Kafka
Número de páginas: 34

Primeiro parágrafo - Apresentação:

O livro foi escrito por Franz Kafka, escritor tcheco com fluência em alemão. A obra foi lançada em 1915 e aborda sobre a vida de Gregor Samsa, personagem principal, que se sente oprimido pelo trabalho e pelo desprezo da própria família.

Gregor Samsa é um caixeiro-viajante que se sente sobrecarregado pela profissão e desmotivado pelo dia a dia cansativo das atividades laborais que cumpre rigorosamente; sente-se reduzido a um inseto. Mantém-se no emprego para pagar as dívidas dos pais, sentindo-se oprimido pelo trabalho e pela família. O trabalho o toma mentalmente e está acima de suas próprias condições humanas.

O caixeiro-viajante, numa determinada manhã, acorda com dores no corpo, sentindo-se impossibilitado a cumprir a sua rotina de trabalho. Mesmo pressionado pela família e pelo gerente da firma à porta de seu quarto, não encontrava forças para se colocar de pé e pronto para encarar as pessoas e as obrigações do trabalho.

Na descrição do texto Gregor sofre uma metamorfose, tornando-se num inseto incapacitado para o trabalho e atividades humanas. Perante o seu estado, houve estranhamento e repulsa por parte da família e do gerente da firma. Grete, sua irmã, apesar de ter soluçado quando Gregor encontrava-se abatido e trancado no quarto, estava ausente na missão de trazer um médico que o socorresse e, sua ausência, fazia falta a Gregor no momento em que ele necessitava se justificar ao gerente.

Gregor, devido a seu estado, torna-se num estorvo assustador na casa. Horas depois, Gregor é isolado e trancado em seu quarto, a vinda do médico é dispensada. Gregor passa a ser tratado com distanciamento e certo nível de desprezo. Grete Samsa, inicialmente, presta uma atenção distanciada do irmão. Devido ao seu espanto e temor deixa restos de alimentos da família no quarto do irmão e, pouco a pouco, investiga o que lhe agrada a ser como um inseto. A irmã era responsável por mantê-lo alimentado, ela suspirava, invocava aos santos, percebia o que ele realmente comia, porém com o pesar que recaía sobre toda a família (mãe, pai e irmã). A família acaba deixando Gregor isolado no quarto e só sua irmã se preocupa em levar-lhe diversos tipos de comida, tentando adivinhar qual lhe agradará. Sua mãe tem medo e nem quer vê-lo.

Gregor, que tinha assumido as despesas do lar como caixeiro-viajante, passou a ser oprimido para manter as obrigações da casa. O pai tem que buscar um emprego de contínuo e a menina também acha um trabalho de balconista. Gregor Samsa sobrevive em seu quarto, cada vez mais afastado da natureza humana, embora ainda preocupado com o destino de sua família. Gregor agora era um inseto e sentia a perda do afeto dos pais em relação a ele, o mesmo afeto se perdia em relação à irmã. Grete Samsa cuida do irmão de maneira distante, sem buscar uma real solução, pois não suportava vê-lo num corpo de inseto, para não a escandalizar. Gregor se refugiava sob o canapé para não ser visto por ela e por ninguém.

A irmã havia resolvido retirar todos os móveis do quarto de Gregor, para que ele tivesse todo o espaço que um inseto necessita ter. A mãe discordou decidindo manter os móveis na esperança que Gregor, um dia, retornasse à condição humana. Grete insistiu e retirou o armário, deixando as paredes livres. Gregor circularia livremente pelas paredes do quarto, intimidando a entrada de todos em seus aposentos. A sua irmã, se dirigia ao cômodo mais para cumprir tarefas de “manutenção” do que para prestar algum tipo de afeto ou atitude em favor de seu irmão.

Pouco a pouco, Gregor passou a se sentir maltratado e a família passou a se virar financeiramente para cobrir as faltas da renda de Gregor, um inseto desempregado. Gregor sente a rejeição da irmã que, antes de sair para trabalhar, deixava em seu quarto qualquer alimento às pressas. Gregor ao incomodar os inquilinos da casa (a família tentava manter na casa uma pensão para conseguir uma renda complementar), torna-se alvo da expulsão por parte da própria irmã.

Nas palavras de Grete Samsa conclui-se o seu desprezo pelo irmão: “É preciso que isso vá para fora”. No fim, Gregor, um inseto muito ferido e isolado, morre sem gerar compadecimentos profundos na casa, todos passam a pensar em seus empregos e em suas próprias vidas.

Morrendo, é jogado no lixo. A família se sente livre e começa a fazer planos para casar a menina. Pode-se dizer que nessa hora Kafka inventa o realismo fantástico (ao apresentar em um contexto real um fato fantástico) e dá, também, alguma mostra do expressionismo em que se baseariam outras de suas histórias, como "O Processo", por exemplo, em que há a importância das posturas e movimentos dos personagens para criar o clima de pesadelo caracterizando suas obras.

Segundo Parágrafo:

Gregor Samsa foi o personagem escolhido, no qual o mesmo manifesta seu descontentamento com sua realidade e a falta de vontade em continuar com sua rotina, devido à sua enorme insatisfação de maneira geral.

Terceiro parágrafo:
O livro não tem uma situação similar com minha vida pessoal e profissional, tendo em vista que minha rotina traz satisfação pessoal e profissional, com contentamento pelo que venho realizando, inclusive a satisfação maior pelo curso que venho realizando na faculdade.

Quarto Parágrafo:

O livro tem uma avaliação positiva de forma geral, mostrando uma situação muito comum nos dias de hoje com a maioria das pessoas, principalmente jovens. Eles não têm uma satisfação e motivação pela rotina que lhe é seguida, sendo assim uma situação impactante e gerando impacto nas pessoas que sofrem com esse problema. O público-alvo principal de acordo com o livro é o jovem, devido sua situação de vida momentânea e descontentamento geral como mencionado no início do parágrafo. A reflexão referente ao livro é válida para enxergar as situações que podem estar presentes na rotina de muitas pessoas e buscar uma diferente forma de solucionar tal situação.

A Vida e suas metamorfoses

Taynara Tosarelli

Título do Livro: A Metamorfose
Autor: Franz Kafka

A obra “A Metamorfose” foi escrita no ano de 1912 por Franz Kafka e publicada em 1915; no ano de 1956, foi publicada no Brasil. Em sua obra, Kafka faz um desabafo através de seu personagem Gregor Samsa, sobre problemas sociais. A mensagem principal que Kafka nos passa em seu livro é a visão interesseira de pessoas ao nosso redor. Enquanto Gregor era eficiente, prestava serviços, ajudava sua família, tinha o que oferecer à todos, todos gostavam de tê-lo por perto. Mas, quando Samsa começa a passar por uma fase de transformação em sua vida, em que é incapaz de realizar qualquer tipo de atividade ou tarefa, o personagem é comparado a um inseto insignificante e inválido, pelo fato de não ter mais o que oferecer.

Gregor Samsa, é um personagem que representa muitas pessoas dentro de uma sociedade. Como quando nos sentimos depressivos, nos sentimos mal com algumas circunstâncias que aparecem para nos afligir e todos que estavam ao seu redor somem, sem prestar ajuda, sem se comunicarem para saber o que acontece. O personagem se sente sozinho e inválido, assim como nós nos sentimos quando acontece algo semelhante a isso.

Essa obra se encaixa nos dias atuais pelas vezes em que nos sentimos esgotados emocionalmente como Gregor e as pessoas que vivem ao nosso redor se afastam nos momentos em que não temos o que oferecer para beneficiá-las.

“A Metamorfose” é uma obra bem elaborada, são usadas gírias da época em que foi escrita, mas de fácil interpretação; um romance curto com um conteúdo para ser refletido em discussões e debates. O autor usa suas obras como um pequeno desabafo em suas críticas sociais, em especial na obra citada acima. A relação entre seus personagens e a vida real é incrível, colocando seu ponto de vista e encantando a todos que a lêem.

8 de maio de 2017

Hibisco roxo, um livro para refletir

Nayara Pontes

Título: Hibisco roxo
Autora: Chimamanda Ngozi Adiche
Número de páginas: 321

O livro Hibisco roxo foi escrito por uma autora nigeriana que imigrou para os Estados Unidos quando mais nova e, nesta obra, são tratados os aspectos de uma cultura interferindo em outra. Ela traz os efeitos da colonização africana e o comportamento das pessoas da Nigéria em relação a isto em alguns fatores como religião, educação, política e diferença de classes.

A personagem que passa todas estas mensagens para nós é Kambili que, além de protagonizar, narra a trajetória de sua vida com a família e amigos. Ela conta como são suas doutrinas em casa e na igreja, mostrando, assim como seu irmão Jaja, total obediência às ordens de seu pai: um homem difícil de lidar na própria sociedade nigeriana por procurar seguir costumes americanos. A menina de 15 anos se preocupa em observar todos os detalhes à sua volta e todos os comportamentos das pessoas com quem convive, sempre que possível fazendo reflexões do que é correto ou não em seu ponto de vista; mas mesmo vivendo naquela mesmice, ela demonstra interesse no novo, isto é, demonstra que sente curiosidade de fazer experiências novas que nunca tinha feito antes por ter um certo medo.

Ela é um exemplo de que o meio influencia nas atitudes de um indivíduo, visto que, longe de seu pai e junto com sua tia e primos, Kambili viveu o que nunca tinha vivido antes. Além disso, observando alguns pontos da obra, conseguimos formar uma relação com o contexto histórico do passado que até hoje traz sequelas para nós, como é o caso da fragmentação da identidade de um país. Assim como a Nigéria, o Brasil também adotou culturas americanas: seja nas músicas, nos filmes ou até mesmo na alimentação, sendo que muitas vezes nem percebemos isso.

De modo geral, Hibisco roxo apresenta uma linguagem bem descritiva, dando maior facilidade para imaginarmos o cenário dos acontecimentos, além de abranger temas interessantes que estão próximos de nossa realidade. Portanto vale a pena ler e refletir sobre o que é tratado e até mesmo relacionar com questões em nosso cotidiano.